Começa no olhar,
acaba descendo à mais protegida das partes
No primeiro dos sentidos
nasce o desejo,
despe-se a rota das imperfeições…
é nela que nos demoramos
entre a suavidade das curvas
na irregularidade de superfícies
Começa no olhar,
acaba descendo à mais protegida das partes
É o sangue subindo e descendo
o calor aflorando as faces
o suor correndo nas mãos
a boca que se vagueia
e com ela,
a revolta
Tornamos ao início da rota
respirando conhecimento
voltamos ao fundo
descendo todo o caminho
tornado escorregadio
É daí que partimos ao atentado
ao descontrolar de funções
à pressão do batimento
ao segundo da consagração
e ao descanso…
algumas expirações depois
haverá mais
Começa no olhar,
acaba descendo à mais protegida das partes.
Sexta-feira, 18 de Junho de 2010
Começa no olhar,
acaba descendo à mais protegida das partes
No primeiro dos sentidos
nasce o desejo,
despe-se a rota das imperfeições…
é nela que nos demoramos
entre a suavidade das curvas
na irregularidade de superfícies
Começa no olhar,
acaba descendo à mais protegida das partes
É o sangue subindo e descendo
o calor aflorando as faces
o suor correndo nas mãos
a boca que se vagueia
e com ela,
a revolta
Tornamos ao início da rota
respirando conhecimento
voltamos ao fundo
descendo todo o caminho
tornado escorregadio
É daí que partimos ao atentado
ao descontrolar de funções
à pressão do batimento
ao segundo da consagração
e ao descanso…
algumas expirações depois
haverá mais
Começa no olhar,
acaba descendo à mais protegida das partes.
acaba descendo à mais protegida das partes
No primeiro dos sentidos
nasce o desejo,
despe-se a rota das imperfeições…
é nela que nos demoramos
entre a suavidade das curvas
na irregularidade de superfícies
Começa no olhar,
acaba descendo à mais protegida das partes
É o sangue subindo e descendo
o calor aflorando as faces
o suor correndo nas mãos
a boca que se vagueia
e com ela,
a revolta
Tornamos ao início da rota
respirando conhecimento
voltamos ao fundo
descendo todo o caminho
tornado escorregadio
É daí que partimos ao atentado
ao descontrolar de funções
à pressão do batimento
ao segundo da consagração
e ao descanso…
algumas expirações depois
haverá mais
Começa no olhar,
acaba descendo à mais protegida das partes.
Sábado, 17 de Abril de 2010
Próxima paragem: Espinho
É engraçado concluirmos que ao idealizarmos determinada coisa nos encontramos exagradamente distantes daquilo que essa mesma coisa virá a ser realmente. E é sempre assim, sendo que na maior parte das vezes essa distância parte do bom para o mau ou implica sempre uma detrminada descida nas espectativas que haviamos colocado no momento da idealização. Desta vez, aconteceu-me o contrário, não que eu tenha idealizado a situação como algo negativo, mas porque aquilo que idealizei não correspondeu de todo ao tom épico que essa mesma situação veio a adquirir.
O dia de ontem: 16/04/2010 - poderia não especificar o dia, mas que importância teria ele se pelo número que o identifica não fosse distinguido de todos os outros? - fez-me pensar que funcionamos um bocado como marionetas no meio de tudo isto, achamos que podemos definir uma coisa e cumprir com essa coisa por querermos muito que ela venha a ser assim, mas a verdade é que depois nos vamos sentindo inseridos no meio de um jogo qualquer em que, em vez de nós, passa a ser uma pessoa ou uma coisa qualquer a conduzir a nossa estadia em determinado dia, lugar e situação, embora por vezes só o consigamos perceber depois de nos termos exteriorizado a ela. Eu senti-me assim ontem e percebi que não é necessariamente mau e que não me importo nada de me entregar a esses jogos e à condução de uma coisa ou pessoa que não eu, desde que essa entrega seja sempre partilhada com a mesma pessoa que a partilhou comigo ontem.
Que iamos andar de comboio eu sabia, o que eu não sabia é que ia ouvir a palavrinha das cinco letras e um hífen, ainda que não propositadamente, depois do mar nos ter vindo cumprimentar até à cintura, nem que ia ficar a saber que um som, que pela intimidade não irei agora especificar, se viria a revelar como sendo o mais fofo de sempre a seguir à vaselina. Mas não foi só, para além do carácter especial da minha narina, fiquei também a saber que o mar tem ouvidos e que por vezes se torna até capaz de aceder aos nossos pedidos ou desejos numa tentativa de ajuda ou de solução de problemas. E mais, nunca me dediquei muito a tarefas domésticas, mas percebi também ontem que estender a roupa se pode tornar numa tarefa divertida, ainda que falhada, se logo a seguir a isso começar a chover.
E os dias tornam-se assim épicos, porque nós amamos! E vocês?
O dia de ontem: 16/04/2010 - poderia não especificar o dia, mas que importância teria ele se pelo número que o identifica não fosse distinguido de todos os outros? - fez-me pensar que funcionamos um bocado como marionetas no meio de tudo isto, achamos que podemos definir uma coisa e cumprir com essa coisa por querermos muito que ela venha a ser assim, mas a verdade é que depois nos vamos sentindo inseridos no meio de um jogo qualquer em que, em vez de nós, passa a ser uma pessoa ou uma coisa qualquer a conduzir a nossa estadia em determinado dia, lugar e situação, embora por vezes só o consigamos perceber depois de nos termos exteriorizado a ela. Eu senti-me assim ontem e percebi que não é necessariamente mau e que não me importo nada de me entregar a esses jogos e à condução de uma coisa ou pessoa que não eu, desde que essa entrega seja sempre partilhada com a mesma pessoa que a partilhou comigo ontem.
Que iamos andar de comboio eu sabia, o que eu não sabia é que ia ouvir a palavrinha das cinco letras e um hífen, ainda que não propositadamente, depois do mar nos ter vindo cumprimentar até à cintura, nem que ia ficar a saber que um som, que pela intimidade não irei agora especificar, se viria a revelar como sendo o mais fofo de sempre a seguir à vaselina. Mas não foi só, para além do carácter especial da minha narina, fiquei também a saber que o mar tem ouvidos e que por vezes se torna até capaz de aceder aos nossos pedidos ou desejos numa tentativa de ajuda ou de solução de problemas. E mais, nunca me dediquei muito a tarefas domésticas, mas percebi também ontem que estender a roupa se pode tornar numa tarefa divertida, ainda que falhada, se logo a seguir a isso começar a chover.
E os dias tornam-se assim épicos, porque nós amamos! E vocês?
Sexta-feira, 27 de Fevereiro de 2009
Mar não meu
Ingressei neste mar de um azul irrequieto
que, pela manhã, me prendeu o olhar.
Cobria-se de um nuvem negra que
por sua vontade não temi
apresentando-se a mim
de uma serenidade não corrente.
Fui, então, embalado pelo seu cantar
saltando de onda em onda,
por vezes provando o sal.
Já muitas ondas passadas
Com o Sol a aproximar, decidiu
não mais me querer
e à areia me foi pousar.
A noite tirara lugar ao dia,
abrindo-me os olhos.
Quando voltei a mim, o céu
não mais era aquele que outrora conheci…
a areia moldava-me o corpo desconfortavelmente…
e a minha presença naquele lugar
havia perdido o sentido.
Já não sei quem sou…
Nem o que sou, para este mar.
que, pela manhã, me prendeu o olhar.
Cobria-se de um nuvem negra que
por sua vontade não temi
apresentando-se a mim
de uma serenidade não corrente.
Fui, então, embalado pelo seu cantar
saltando de onda em onda,
por vezes provando o sal.
Já muitas ondas passadas
Com o Sol a aproximar, decidiu
não mais me querer
e à areia me foi pousar.
A noite tirara lugar ao dia,
abrindo-me os olhos.
Quando voltei a mim, o céu
não mais era aquele que outrora conheci…
a areia moldava-me o corpo desconfortavelmente…
e a minha presença naquele lugar
havia perdido o sentido.
Já não sei quem sou…
Nem o que sou, para este mar.
Sábado, 7 de Fevereiro de 2009
Não para a Mulher, mas para uma Mulher em especial
Surgiste-me, mulher, quando a lívida flor desabrochara
num canto furtivo daquele jardim.
E caminhando, para mim, cantavas
enquanto a flor espreitava o dia.
Não era a tua voz que ouvia
mas a de um pássaro cantando-me ao ouvido…
Esse pássaro trazia até mim a canção escondida entre os teus cabelos…
Uma canção que alegava ser minha
e que o vento invejava.
Toda eu fui, no conforto daquele fim de tarde
ouvidos para a tua música…
A música que te trouxera a mim
e que acabou perdida no rio.
num canto furtivo daquele jardim.
E caminhando, para mim, cantavas
enquanto a flor espreitava o dia.
Não era a tua voz que ouvia
mas a de um pássaro cantando-me ao ouvido…
Esse pássaro trazia até mim a canção escondida entre os teus cabelos…
Uma canção que alegava ser minha
e que o vento invejava.
Toda eu fui, no conforto daquele fim de tarde
ouvidos para a tua música…
A música que te trouxera a mim
e que acabou perdida no rio.
Quinta-feira, 25 de Dezembro de 2008
Dogma 95
O Dogma 95 é um movimento cinematográfico internacional lançado a partir de um manifesto publicado em 13 de março de 1995 em Copenhaga, na Dinamarca. Os autores foram os cineastas dinamarqueses, Thomas Vinterberg e Lars von Trier. Segundo o relato de Vinterberg, os dois levaram apenas 45 minutos para formular as regras. Elas foram apresentadas uma semana depois no Odéon - Théatre de L’Europe, em Paris, em 20 de março de 1995, onde von Trier foi chamado para celebrar o centenário do nascimento do Cinema. O Manifesto Dogma 95 foi escrito para a criação de um cinema mais realista e menos comercial e apresenta uma série de restrições quanto às técnicas e conteúdos dos filmes e seus realizadores.
As regras do Dogma 95, também conhecidas como “voto de castidade”, são:
As filmagens devem ser feitas em locais externos.Não podem ser usados acessórios ou cenografia (se a trama requer um acessório particular, deve-se escolher um ambiente externo onde ele se encontre).
O som não deve jamais ser produzido separadamente da imagem ou vice-versa. (A música não poderá ser utilizada a menos que ressoe no local onde se filma a cena).
A câmera deve ser usada na mão. São consentidos todos os movimentos - ou a imobilidade - devidos aos movimentos do corpo. (O filme não deve ser feito onde a câmera está colocada; são as tomadas que devem desenvolver-se onde o filme tem lugar).
O filme deve ser em cores.
Não se aceita nenhuma iluminação especial. (Se há muito pouca luz, a cena deve ser cortada, ou então, pode-se colocar uma única lâmpada sobre a câmera).São proibidos os truques fotográficos e filtros.
O filme não deve conter nenhuma ação "superficial". (Homicídios, Armas, etc. não podem ocorrer).
São vetados os deslocamentos temporais ou geográficos. (O filme se desenvolve em tempo real).
São inaceitáveis os filmes de gênero.
O filme deve ser em 35 mm, padrão.O nome do diretor não deve figurar nos créditos.
Todos os filmes que recebem o reconhecimento do Dogma 95 seguem 10 regras estipuladas por Trier e Vinterberg. Para tanto, os realizadores devem enviar cópias de seus filmes à entidade que gerencia o Dogma 95 e submetê-los à avaliação. Caso aprovado e verificado que o voto de castidade foi cumprido, os autores recebem o Certificado Dogma 95.
As regras do Dogma 95, também conhecidas como “voto de castidade”, são:
As filmagens devem ser feitas em locais externos.Não podem ser usados acessórios ou cenografia (se a trama requer um acessório particular, deve-se escolher um ambiente externo onde ele se encontre).
O som não deve jamais ser produzido separadamente da imagem ou vice-versa. (A música não poderá ser utilizada a menos que ressoe no local onde se filma a cena).
A câmera deve ser usada na mão. São consentidos todos os movimentos - ou a imobilidade - devidos aos movimentos do corpo. (O filme não deve ser feito onde a câmera está colocada; são as tomadas que devem desenvolver-se onde o filme tem lugar).
O filme deve ser em cores.
Não se aceita nenhuma iluminação especial. (Se há muito pouca luz, a cena deve ser cortada, ou então, pode-se colocar uma única lâmpada sobre a câmera).São proibidos os truques fotográficos e filtros.
O filme não deve conter nenhuma ação "superficial". (Homicídios, Armas, etc. não podem ocorrer).
São vetados os deslocamentos temporais ou geográficos. (O filme se desenvolve em tempo real).
São inaceitáveis os filmes de gênero.
O filme deve ser em 35 mm, padrão.O nome do diretor não deve figurar nos créditos.
Todos os filmes que recebem o reconhecimento do Dogma 95 seguem 10 regras estipuladas por Trier e Vinterberg. Para tanto, os realizadores devem enviar cópias de seus filmes à entidade que gerencia o Dogma 95 e submetê-los à avaliação. Caso aprovado e verificado que o voto de castidade foi cumprido, os autores recebem o Certificado Dogma 95.
"Idioterne (1998)" Dogme#2 - a film by Lars von Trier
Manifesto Dogma 95 - escrito para a criação de um cinema mais realista e menos comercial. Trata-se de um acto de resgate do cinema que se fazia antes da exploração industrial. Tem cunho técnico — apresenta uma série de restrições quanto ao uso de técnicas e tecnologias nos filmes — e ético — com regras quanto ao conteúdo dos filmes e seus directores.
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