Chegou-me dos mares salgados que senti, outrora
quando o Sol lhes consumia a intensidade do brilho.
Chegou-me dos barcos carregados
como chegam as mercadorias.
Prendeu-me a mão quando lhe toquei
e concedeu-me a honra da criação.
Levou-me pela noite à descoberta da palavra
e fez-me pintar o sentido de uma coisa qualquer.
Sentou-se ao meu colo quando tentei falar-lhe de amor
mas secou-me as palavras quando quis explica-lo.
Entrou-me pelo olhar e saiu-me pela mão.
Hoje, ela é já o meu alimento
e, no entanto, ainda não a sinto.
Segunda-feira, 20 de Outubro de 2008
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