É engraçado concluirmos que ao idealizarmos determinada coisa nos encontramos exagradamente distantes daquilo que essa mesma coisa virá a ser realmente. E é sempre assim, sendo que na maior parte das vezes essa distância parte do bom para o mau ou implica sempre uma detrminada descida nas espectativas que haviamos colocado no momento da idealização. Desta vez, aconteceu-me o contrário, não que eu tenha idealizado a situação como algo negativo, mas porque aquilo que idealizei não correspondeu de todo ao tom épico que essa mesma situação veio a adquirir.
O dia de ontem: 16/04/2010 - poderia não especificar o dia, mas que importância teria ele se pelo número que o identifica não fosse distinguido de todos os outros? - fez-me pensar que funcionamos um bocado como marionetas no meio de tudo isto, achamos que podemos definir uma coisa e cumprir com essa coisa por querermos muito que ela venha a ser assim, mas a verdade é que depois nos vamos sentindo inseridos no meio de um jogo qualquer em que, em vez de nós, passa a ser uma pessoa ou uma coisa qualquer a conduzir a nossa estadia em determinado dia, lugar e situação, embora por vezes só o consigamos perceber depois de nos termos exteriorizado a ela. Eu senti-me assim ontem e percebi que não é necessariamente mau e que não me importo nada de me entregar a esses jogos e à condução de uma coisa ou pessoa que não eu, desde que essa entrega seja sempre partilhada com a mesma pessoa que a partilhou comigo ontem.
Que iamos andar de comboio eu sabia, o que eu não sabia é que ia ouvir a palavrinha das cinco letras e um hífen, ainda que não propositadamente, depois do mar nos ter vindo cumprimentar até à cintura, nem que ia ficar a saber que um som, que pela intimidade não irei agora especificar, se viria a revelar como sendo o mais fofo de sempre a seguir à vaselina. Mas não foi só, para além do carácter especial da minha narina, fiquei também a saber que o mar tem ouvidos e que por vezes se torna até capaz de aceder aos nossos pedidos ou desejos numa tentativa de ajuda ou de solução de problemas. E mais, nunca me dediquei muito a tarefas domésticas, mas percebi também ontem que estender a roupa se pode tornar numa tarefa divertida, ainda que falhada, se logo a seguir a isso começar a chover.
E os dias tornam-se assim épicos, porque nós amamos! E vocês?
Sábado, 17 de Abril de 2010
Subscrever:
Enviar comentários (Atom)
1 opiniões:
também tenho uma coisa a dizer...
caguei nos advérbios!!
Enviar um comentário